1001869674411693.
top of page

Biomarcadores e demência: como isso pode ajudar na prática

  • Foto do escritor: Dra. Cíntia Siloto
    Dra. Cíntia Siloto
  • 14 de jul.
  • 4 min de leitura

Atualizado: 15 de jul.

Os biomarcadores para demência são um avanço da medicina que auxilia no diagnóstico da demência de Alzheimer e outras demências. Na prática, eles funcionam como pistas que mostram se algo está mudando no cérebro. Essas pistas podem aparecer em exames de sangue, no líquido retirado da coluna ou em exames de imagem cerebral.


É fundamental entender: o biomarcador não é tratamento. Ele não cura nem impede a demência sozinho, e tampouco deve ser visto como uma resposta isolada. Seu papel é auxiliar o médico a compreender melhor o que pode estar ocorrendo com o paciente, especialmente quando há dúvidas do diagnóstico.


 A ciência já demonstra que algumas alterações cerebrais podem começar muitos anos antes dos primeiros esquecimentos (como esquecer nomes, se perder em lugares conhecidos ou repetir perguntas). É nesse estágio silencioso que os biomarcadores ganham importância, sobretudo nos estudos sobre a doença de Alzheimer.


Apesar dos avanços, nem todo exame novo está pronto para uso em larga escala. Alguns biomarcadores já são utilizados em centros especializados, enquanto outros permanecem em fase de estudo. Os exames de sangue, por exemplo, avançaram muito, mas ainda precisam de maior padronização antes de se tornarem rotina para todos os pacientes.


Os biomarcadores já são confiáveis?


A resposta mais honesta é: depende do exame e do contexto. Alguns biomarcadores apresentam boa utilidade na investigação do Alzheimer, principalmente quando o diagnóstico não está claro, ajudando o médico a diferenciar o quadro entre Alzheimer, demência vascular, demência frontotemporal ou outro tipo de demência.

Isso não significa que toda pessoa com esquecimento precise fazer esses exames. Na maioria dos casos, o primeiro passo continua sendo uma avaliação clínica minuciosa. O médico precisa conversar com o paciente e a família, entender o início dos sintomas, e avaliar a memória, o sono, o humor, os medicamentos em uso, as doenças crônicas e exames básicos. O biomarcador é uma ferramenta adicional, que auxilia, mas não substitui a avaliação clínica.


Para que os biomarcadores podem servir?


Os biomarcadores oferecem diversas utilidades na jornada contra a demência:

Diagnóstico Precoce: Especialmente para a doença de Alzheimer. Paciente com testes cognitivos alterados, bem como candidatos a terapias modificadoras da doenças (terapia anti-amilóide).

Diferenciação: Ajudam a distinguir os tipos de demência (Alzheimer, vascular, Corpos de Lewy, etc.), já que cada uma tem relação com alterações específicas (circulação, proteínas, áreas cerebrais).

Pesquisa e Acompanhamento: São essenciais no estudo de novos tratamentos, permitindo monitorar se o medicamento está realmente agindo no cérebro e na evolução da doença.

Apesar dos benefícios, o cuidado é necessário: alguns exames são caros, nem todos estão disponíveis e alguns ainda são invasivos. Por isso, a decisão sobre o uso deve ser: “esse exame faz sentido para este paciente, neste momento?”.

Atualmente, especialistas não recomendam o uso de biomarcadores sanguíneos em pessoas sem comprometimento cognitivo, pois isso pode ocasionar incerteza diagnóstica.

Demência: tudo o que você precisa saber


Demência não é uma única doença. É um termo usado para descrever um conjunto de alterações que prejudicam a memória, o raciocínio, o comportamento e a capacidade de realizar atividades do dia a dia.

Nem todo esquecimento é demência. Esquecer onde colocou a chave pode acontecer com qualquer pessoa. Mas esquecer compromissos importantes com frequência, repetir muitas vezes a mesma pergunta, se perder em lugares conhecidos ou ter dificuldade para cuidar das próprias finanças são sinais de alerta.


Doença de Alzheimer

A causa mais comum, geralmente começa com perda de memória recente (esquecer conversas, repetir perguntas, perder objetos). O acompanhamento médico é vital desde os primeiros sinais, pois com o tempo outras áreas como linguagem, execução de tarefas e  orientação têmporo-espacial são afetadas.


Demência vascular

Ocorre quando a circulação do cérebro é comprometida, muitas vezes por pressão alta, diabetes, colesterol alto ou AVCs. Os sintomas incluem lentidão para pensar, dificuldade para organizar tarefas e alterações ao caminhar. O controle cardiovascular é crucial na prevenção.


Demência com corpos de Lewy

Menos conhecida, causa oscilações de atenção, alucinações visuais, rigidez no corpo, lentidão nos movimentos e alterações do sono. Observar mudanças no comportamento e nos movimentos é importante para evitar o atraso no diagnóstico.


É possível prevenir demência?


Nem sempre é possível evitar uma demência, mas é fundamental reduzir os riscos. A ciência aponta que boa parte dos casos pode ser evitada com cuidados ao longo da vida. Os principais fatores de risco incluem: pressão alta, diabetes, obesidade, sedentarismo, baixa escolaridade, tabagismo, colesterol- LDL alto, AVC, traumatismo cerebral, isolamento social, apnéia do sono, obesidade, depressão, perda auditiva, perda visual e consumo excessivo de álcool.


Cuidar do corpo é cuidar do cérebro. Atitudes como dormir bem, praticar atividade física, manter alimentação equilibrada, tratar doenças crônicas, cuidar da audição e da visão, manter vínculos sociais e estimular a mente ajudam o cérebro a envelhecer melhor.


E a genética? Se tenho casos na família, vou ter Alzheimer?


Não necessariamente. Ter casos na família pode aumentar o risco, mas não garante o desenvolvimento da doença. A genética tem peso, mas o estilo de vida é um fator decisivo. Quem tem maior risco familiar pode, com cuidados na saúde, reduzir as chances de desenvolver a demência.


Saber se tenho tendência a Alzheimer pode ajudar?


Pode ser útil em alguns casos, especialmente quando há muitos casos na família e a demência apareceu muito cedo (antes dos 65 anos). No entanto, para a maioria das pessoas, o foco deve estar na avaliação clínica: memória, doenças, medicamentos, sono, humor e estilo de vida. 

Biomarcadores

 Avaliação Geriátrica no Cuidado da Memória


Os biomarcadores para demência são uma ferramenta promissora e poderosa para o futuro do diagnóstico. Eles ajudam a refinar a identificação da doença de Alzheimer, a diferenciar tipos de demência e a monitorar a resposta a tratamentos inovadores.

Contudo, a base do cuidado com a memória permanece na avaliação geriátrica.


Como geriatra examino o envelhecimento de forma integral — observando remédios, sono, humor, equilíbrio, rotina e autonomia. Muitas vezes, o esquecimento não é demência, mas sim reflexo de depressão, ansiedade, falta de sono, efeito colateral de medicamento ou deficiência de vitaminas. Por isso, a investigação precoce é crucial.


O acompanhamento geriátrico organiza o cuidado, orienta a família e maximiza as chances de identificar a causa e preservar a autonomia do paciente pelo maior tempo possível. Na prática, o cuidado com o cérebro é um projeto de vida, e ele começa na escuta atenta, na prevenção e no acompanhamento regular, antes de qualquer exame sofisticado.










Comentários


bottom of page